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Os objectos são marcos miliares do Espaço-Tempo de uma vida individual e colectiva.
Ao longo do percurso, vamos deixando e reencontrando os marcos que assinalam os momentos - fragmentos de Tempo que se vai escoando e acumulando, simultaneamente; vestígios que as marés, alternadas a espaços-tempo regulares, vão pondo a descoberto para voltar a cobrir de areia.
Mais do que símbolos do esvaziamento da vida, os objectos são elementos de construção, quais sedimentos, como os grãos de areia arrancados à rocha-mãe, aparentemente eterna, que dão corpo à praia, dia após dia.
A vida é a memória das coisas e dos momentos. De momento a momento se constrói a memória da viagem e quanto mais longe no tempo, mais viva a memória dos momentos, mais nítidos e presentes os fragmentos da memória, mais urgentes os horizontes.
Maria Cecília
Louraço
15 de Agosto /4 de Setembro de 1994
O nosso Tempo corre inexoravelmente para um limite mas a Natureza a cada ciclo se renova e é um manancial de significantes que nos permitem dar forma às emoções; se atentos ao seu pulsar, encontramos na estrutura da paisagem elementos que podem configurar sensações e sentimentos que não sabemos exprimir por palavras, da alegria de viver o presente à nostalgia do que já vivemos!...
E, para lá de um horizonte, podemos sempre imaginar tudo aquilo que já foi e tudo aquilo que poderá, ainda, vir a ser.